O SEF no futebol português..

O governo está a equacionar um pacote de alterações ao futebol profissional em 2012. Os grupos de estudo entretanto formados recomendam uma redução ao numero de jogadores estrangeiros, uma possibilidade que também está em estudo noutros países europeus, e que tem sido criticada por alguns intervenientes do panorama desportivo nacional.

Caso estas medidas passem do papel, a competitividade dos clubes portugueses pode estar em risco. Temos a obrigação de manter a qualidade do futebol português, que nos últimos anos tem vindo a crescer de uma forma notável, mas que com estas medidas todo o esforço dspendido pode ir por água a baixo. Todos sabemos que os clubes em Portugal não têm capacidade para competir com outros campeonatos na contratação de jogadores internacionais, mas mesmo assim as altas autoridades querem restringir os jogadores estrangeiros. Se estas medidas avançarem vamos para o ano ter internacionais.. das Ilhas Samoa, do Zimbabwe ou das Ilhas Maurícias, porque internacionais de países desenvolvidos não vão ter qualquer interesse em vir jogar para um país onde a compensação financeira é baixa e onde a qualidade do futebol é diminuta.

Portugal pode seguir o exemplo de do Athletic Bilbao, clube espanhol conhecido por não permitir que atletas não nascidos ou não desenvolvidos no País Basco, Navarra ou Iparralde possam jogar no clube. Se Portugal decidir fechar as suas fronteiras futebolísticas, vão sofrer os clubes grandes, vão sofrer os pequenos e vai sofrer toda a formação.

Eu explico, sem jogadores estrangeiros a qualidade diminui, sem qualidade diminuiem também os espectadores, sem os espectadores diminui a receita dos clubes, sem essa receita diminui a capacidade de investimento na formação, sem formação diminui a capacidade de fornecimento de jogadores aos clubes mais pequenos, que sem esses jogadores vão perder contratos/publicidade necessários à sua laboração, e consequentemente irão fechar portas, dando inicio a um ciclo negro no futebol português.

Eu, e todos os portugueses que gostam de futebol, percebemos que  algumas medidas têm de ser tomadas para fomentar a formação e o fornecimento de jogadores à selecção nacional, mas a solução não pode passar por uma discriminação num mercado tão aberto e liberal como é o futebolístico. E o futebol em Portugal até tem vindo a dar cartas pela Europa fora, recordando palavras de Jorge Jesus aquando a última reunião de treinadores de elite, “A alguns fazia confusão como é que Portugal conseguiu colocar 3 equipas nas meias-finais da Liga Europa. O treinador do Valência nem queria acreditar quando lhe disse que o orçamento do Benfica ficava entre os 50/60 milhoes de euros.. Ficou maluco..”

Estas palavras de Jesus só mostram o bom caminho que o nosso futebol está a tomar e negócios como o de David Luiz, Ramires, Lucho, Lisandro, Nani, etc. reforçam mais a ideia de que estamos no bom caminho. Mas mais uma vez o governo português parece querer colocar o futebol português no mesmo lugar em que o país está, ou seja, na cauda da Europa.

Às vezes apetece-me dizer coisas certas com as palavras erradas, mas hoje vou conter-me..

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